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Seu filho tem TDAH?

Pesquisas estimam que existam em torno de duas a três crianças portadoras do TDAH em cada sala de aula, sendo um dos transtornos mais comuns que aparecem desde a primeira infância. Mas o que seria o TDAH?

Transtorno de déficit de atenção e/ ou hiperatividade (TDAH) é caracterizado pelos excessos no comportamento de um indivíduo, relacionados ao excessivo movimento ou excessiva desatenção, adicionados aos distúrbios comportamentais.

Geralmente crianças muito agitadas, impulsivas ou desatentas, possuem um dos pais ou um parente próximo com características muito parecidas. Isso porque o TDAH pode ser genético. A diferença é que estes parentes provavelmente não foram diagnosticados em sua época. No entanto provavelmente apresentaram muitos problemas escolares e comportamentais.

A diferença entre portadores ou não do TDAH é cerebral. Estudos apontam diferenças cerebrais significativas que comprometem o desenvolvimento do indivíduo, fazendo com que se comportem de maneira atípica. Este comportamento não deve ser em um só lugar, mas ocorrer em todos os lugares e situações em que a criança estiver.

O TDAH foi reconhecido e classificado na medicina. O manual médico aponta algumas características que podem diferenciar um indivíduo portador do transtorno. Este indivíduo pode ser predominantemente hiperativo e não desatento. Pode ser também predominantemente desatento e não hiperativo, mas a grande maioria dos casos reúne ambas as características em uma mesma pessoa. Assim, elas se tornam muito ativas, desatentas e impulsivas.

De qualquer forma, sejam quais forem as características, fica comprovado que o transtorno afeta muito a vida pessoal, social e escolar da criança, e quanto antes for realizado o diagnóstico, melhor será, pois as adaptações, principalmente as escolares, poderão ser feitas a tempo.

As características que exemplificarei abaixo servem para conhecimento e triagem de pessoas que possam ter o TDAH. O diagnóstico deve ser feito com um profissional qualificado para avaliar se as hipóteses de pais e professores se confirmam ou se a criança está apenas atravessando uma fase com algumas destas características sem pertencer necessariamente ao grupo dos portadores de TDAH.

 CID -10 (Classificação Internacional de Doenças)

DESATENÇÃO

(Pelo menos 6 dos seguintes sintomas durante pelo menos 6 meses)

  1. Não consegue frequentemente prestar atenção nos detalhes ou comete erros por desatenção nos deveres escolares, no trabalho ou em outras atividades;
  2. Não consegue frequentemente manter a atenção nas tarefas ou nas atividades lúdicas;
  3. Não consegue frequentemente ouvir o que lhe dizem;
  4. Não consegue frequentemente se ajustar às ordens que vêm de outra pessoa ou concluir seus deveres, suas tarefas ou suas obrigações no local de trabalho;
  5. Frequentemente tem dificuldade de organizar suas tarefas;
  6. Evita frequentemente ou cumpre muito a contragosto as tarefas que necessitam de um esforço mental contínuo, como os deveres de casa;
  7. Perde frequentemente objetos necessários a seu trabalho ou a certas atividades na escola ou em casa (por exemplo, lápis, livros, brinquedos, ferramentas);
  8. Frequentemente se distrai com facilidade por estímulos externos;
  9. Tem esquecimentos frequentes durante as atividades cotidianas.

 

HIPERATIVIDADE

(Pelo menos 3 dos seguintes sintomas de hiperatividade durante pelo menos 6 meses)

  1. Agita frequentemente as mãos e os pés ou se contorce na cadeira;
  2. Levanta-se em situações em que deveria permanecer sentado;
  3. Corre por toda parte ou sobe em tudo, de forma excessiva, em situações em que isso é inapropriado;
  4. É com frequência, excessivamente ruidoso nos jogos ou tem dificuldade de participar em silêncio de atividades de lazer;
  5. Demonstra uma atividade motora excessiva.

 

IMPULSIVIDADE

(Pelo menos 1 dos sintomas de impulsividade durante pelo menos 6 meses)

  1. Precipitar-se frequentemente para responder às perguntas sem esperar que terminem de coloca-las;
  2. Não consegue permanecer na fila ou esperar sua vez nos jogos ou em outras situações de jogo;
  3. Interrompe o outro frequentemente ou impõe sua presença (por exemplo, interfere nas conversas ou nos jogos de outros);
  4. Fala demais frequentemente sem levar em conta convenções sociais.

 

Vale lembrar que os sintomas descritos acima diminuem muito ou até desaparecem quando a criança está fazendo algo ou uma atividade que lhe agrade muito, como por exemplo, vídeo game, desenhos animados, jogos, dentre outros. O cérebro é muito seletivo e no caso do TDAH, a criança só é capaz de se interessar por atividades específicas, que lhe interessem muito. Fica fora de seu controle agir de outra maneira.

Desta forma, crianças com TDAH devem passar por diversas intervenções para ter seu desempenho melhorado, principalmente na escola. Além de um diagnóstico para confirmar o problema, a mesma deve passar por médico neurologista para verificar a necessidade de medicação. Geralmente a medicação recomendada é a Ritalina, que ajuda muito nos momentos em que precisa de mais atenção, concentração e calma, como nas atividades escolares.

Além da medicação, a criança deve ter acompanhamento psicopedagógico para ajudar a recuperar os déficits na aprendizagem e desenvolver as capacidades que estão prejudicadas, como a atenção, a concentração, a memória em curto prazo e a impulsividade, com atividades específicas que desenvolvem as áreas cerebrais prejudicadas. Além disso, o profissional deve estar sempre em contato direto com a escola da criança, pedindo adaptações de provas, tempo a mais no caso dos desatentos, sala separada para o caso dos desatentos, interpretação de enunciados, revisão das respostas no caso dos impulsivos, e até mudança de lugares onde se sentam e organização visual da sala de aula, para evitar que se dispersem em demasia.

É muito comum que tantas dificuldades interfiram também nas áreas emocionais da criança. Geralmente suas características incomodam os outros, e até os pais acabam por perder a paciência muitas vezes. Além disso, devido aos muitos fracassos escolares, a autoestima acaba por diminuir muito, e a criança se sente burra, incompetente e menos importantes que as demais crianças. Estas questões precisam e devem ser tratadas com um profissional específico, podendo ser um psicólogo ou psicanalista infantil. O importante é que a criança se sinta amparada em todos os sentidos para um bom desenvolvimento.

Muitas vezes o TDAH acompanha comorbidades, ou seja, dificuldades que podem acompanhar o TDAH. Dentre estas podem estar a dislexia (dificuldade de leitura), disgrafia (letra feia), discalculia (dificuldade nos cálculos), além de falta de coordenação motora. Nestes casos o profissional psicopedagogo poderá auxiliar. Estas comorbidades podem estar relacionadas também ao comportamento, e muitas vezes junto com o TDAH surge o TOD (transtorno opositor desafiante) e o TC (transtorno de conduta), que se agravam com a adolescência através de mentiras, delitos, desrespeito às autoridades, dentre outros. Neste caso o apoio emocional por parte de profissional especializado é sempre imprescindível.

Não existe cura para o TDAH. Existe sim grande melhora com os tratamentos e ajudas especializadas, inclusive orientação dos pais sobre como lidar com esta criança, entendendo-a melhor, ajudando em suas dificuldades, e driblando as dificuldades que surgem no dia a dia da família. Com a chegada da adolescência, os problemas comportamentais tendem a aumentar e é necessário redobrar os cuidados neste período. Da mesma forma que aumentam na adolescência, estes comportamentos tendem a diminuir com a chegada da idade adulta, porém sem desaparecer totalmente. Se bem atendidos, inclusive nas dificuldades de aprendizagem, este indivíduo terá possibilidades de atingir a fase adulta e se desenvolver na mesma com sucesso.

As perguntas abaixo são uma pequena triagem e peço que respondam com o máximo de sinceridade. Muitas respostas positivas podem ser indicativas de TDAH em seu filho, e seria neste caso indicado uma avaliação especializada.

  1. Já percebeu comportamentos de excessiva desatenção e/ou excessivo excesso de agitação em seu filho?
  2. Estes comportamentos excessivos acontecem em todos os lugares ou pelo menos a maioria deles ou apenas em um local? (só escola, só casa, só casa de avó…)
  3. A criança é muito rebelde, contraria muito e tem comportamentos não aceitáveis socialmente?
  4. Como é a aprendizagem? É prejudicada por muita agitação, muita desatenção, falta de concentração ou impulsividade?
  5. Apresenta dificuldades de relacionamento com amigos? Briga muito, quer sempre que sua vontade prevaleça?
  6. Alguém próximo na família, principalmente pai ou mãe apresentaram comportamentos parecidos quando criança? Ainda apresentam comportamento deste tipo?
  7. A criança tem dificuldades de organização? Seus materiais são muitas vezes sujos e sem capricho?
  8. A criança esquece as coisas muito facilmente?
  9. A criança muitas vezes parece imatura para sua idade?
  10. Apresenta muita impaciência?
  11. Intromete-se muito na conversa dos outros ou não espera terminarem de falar?
  12. Perde seus materiais com frequência? Esquece suas coisas?
  13. Quando está numa atividade que lhe interessa muito (vídeo game por ex.), presta bastante a atenção e concentra-se?

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com