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Retardo Mental

Retardo mental, também chamado de deficiência intelectual, poderia ser definido por características diversas  que o indivíduo apresenta e refletem desempenho intelectual inferior à média. Existem quatro níveis de gravidade do retardo mental, podendo o mesmo ser leve, moderado, grave ou profundo, dependendo das capacidades intelectuais ainda na infância, bem como de suas dificuldades de adaptação. Atinge cerca de 1 a 2% da população, sua frequência é maior no sexo masculino e sua incidência é crônica, afetando o desempenho do indivíduo por toda a sua vida.

Existe muita diversidade na manifestação do retardo transtorno, podendo interferir em maior ou menor gravidade na autonomia, capacidade de locomoção, desempenho escolar, presença de psicopatologias e afecções médicas. Indivíduos que sofrem de retardo mental profundo, por exemplo, apresentam desenvolvimento significativamente limitado em todas as esferas do funcionamento, inclusive da aprendizagem. Nos casos menos graves o retardo só é evidente no ingresso da vida escolar juntamente com as exigências contínuas da aprendizagem formalizada. As exigências escolares fariam emergir a situação das crianças situadas no limite de funcionamento que define a deficiência intelectual.

Os critérios utilizados para definir a gravidade do transtorno podem variar inclusive de um país para o outro. No Brasil estabelece-se o limite para a deficiência intelectual em uma escala que varia até 70 pontos nos exames de coeficiente intelectual, além das características descritas no CID-10 (Código Internacional de Doenças) e no DSM –IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

De acordo com o DSM-IV, por exemplo, os critérios diagnósticos para o retardo mental seriam:

A. Funcionamento intelectual geral significativamente inferior à média: nível de QI de 70 ou inferior a ele, medido por um teste de QI aplicado individualmente (para as crianças muito pequenas, baseia-se em julgamento clinico de funcionamento intelectual significativamente inferior à média).

B. Déficits concomitantes ou alterações do funcionamento adaptativo atual (isto é, da capacidade do sujeito de responder às normas esperadas de sua idade em seu meio cultural) referentes a pelo menos dois dos seguintes setores: comunicação, autonomia, vida doméstica, aptidões sociais e interpessoais, aproveitamento de recursos do ambiente, responsabilidade individual, utilização dos conhecimentos escolares, trabalho, lazer, saúde e segurança.

C. Início antes dos 18 anos de idade.

Especificar em função de nível de gravidade e déficit intelectual:

  • Retardo mental leve: nível de QI de 50-55 a 70 aproximadamente.
  • Retardo mental moderado: nível de QI de 35-40 a 50-55 aproximadamente.
  • Retardo mental grave: nível de QI de 20-25 a 35-40.
  • Retardo mental profundo: nível de QI inferior a 20-25.
  • Retardo mental sem gravidade especificada: quando existe um forte indício de retardo mental, mas a inteligência do sujeito não pode ser medida por testes padronizados.

Apesar dos critérios diagnósticos baseados em QI sejam úteis, nem sempre pode ser satisfatório na avaliação do retardo mental. Isto porque a inteligência é uma faculdade de dimensões múltiplas, e a criança ou o adolescente pode demonstrar capacidades intelectuais satisfatórias em determinados aspectos da avaliação, mas omissões importantes em outros momentos, tornando-se a avaliação baseada apenas no QI, bastante arbitrária.

Pode-se observar que em geral, a criança com retardo mental leve adquire várias competências afetivas, sociais e instrumentais, além de aprender a falar sem maiores dificuldades. No entanto esta aquisição se faz de forma lenta e a utilização da linguagem ainda é limitada. Seu grau de autonomia pessoal e social é comparável ao de crianças com inteligência normal, apesar da necessidade de tempo e apoio para a assimilação das aprendizagens. No entanto podem se beneficiar de uma adaptação inclusiva da escola principalmente no sentido de desenvolver sua autonomia social. Desde que o atraso não seja acompanhado por transtornos psicopatológicos, podem na vida adulta até ter vida independente em alguns casos.

No retardo mental moderado, a maioria das crianças aprende a falar, mas com grandes dificuldades de comunicações simples e completas inclusive com as pessoas próximas. A aprendizagem das regras sociais também é prejudicada, requerendo habitualmente um nível de controle. Seu nível de autonomia pessoal e social geralmente é limitado, podendo apresentar também problemas de motricidade. O retardo é evidente desde a primeira infância, o que torna as aquisições da aprendizagem bastante difíceis. Podem ter muita dificuldade na leitura e escrita, mas podem se beneficiar de uma educação voltada para maior desenvolvimento da autonomia. Na idade adulta, a maior parte das pessoas com retardo mental pode trabalhar em locais adaptados e desenvolver parcial autonomia de vida.

A criança com retardo mental grave apresenta dificuldades acentuadas e múltiplas, atrasando consideravelmente seu desenvolvimento e limitando sua autonomia. Podem adquirir linguagem funcional rudimentar e às vezes aprender algumas palavras escritas, como seu nome. Podem executar apenas tarefas simples com autonomia, necessitando de vigilância contínua por parte dos cuidadores, principalmente pela mobilidade reduzida e limitada autonomia.

O retardo mental profundo se apresenta na maior parte dos casos na primeira infância, afetando todo o seu desenvolvimento. Necessitam de supervisão e cuidados contínuos pois sua linguagem é bastante limitada e às vezes inexistente, podendo às vezes apenas se comunicar com gestos ou balbucios. Sua motricidade é gravemente limitada e o mesmo ocorre consequentemente com a autonomia geral. Seu estado geralmente é agravado por problemas físicos múltiplos, exigindo inclusive cuidados médicos constantes.

A validade científica de um diagnóstico de retardo mental depende do nível de funcionamento intelectual e adaptativo da criança, assim como dos métodos utilizados para a investigação. O retardo moderado, grave ou profundo são bastante evidentes e geralmente não deixam dúvidas. No entanto, o retardo leve pode suscitar controvérsias pois não se tornam evidentes em todos os contextos e períodos de desenvolvimento, manifestando-se suas dificuldades geralmente durante os anos de aprendizagem formalizada.

O atraso mental geralmente vem acompanhado de comorbidades, ou seja, outras dificuldades juntamente com o problema principal. Em alguns casos podem se manifestar em afecções médicas ou somáticas, transtornos psicopatológicos e afetivos, comportamentos automutilantes e estereotipados, bem como dificuldades de linguagem e comunicação verbal e não verbal. O prognóstico das crianças com este problema pode variar bastante de acordo com cada caso em particular e a gravidade dos sintomas. Sua manifestação é crônica e costuma afetar seu funcionamento geral por toda a sua vida.

Os três casos mais comuns de incidência do retardo mental estão nas síndromes como a Síndrome de Down, Síndrome de Prader-Willi e a Síndrome do X Frágil. Fatores etiológicos também podem levar ao retardo, como as alterações cromossômicas e mutações genéticas, devendo sempre haver uma investigação minuciosa nas verdadeiras causas do problema para o melhor manejo terapêutico.

 

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com