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O emocional da criança diante da separação dos pais

1126740_59012206As crianças podem reagir de diferentes maneiras diante da separação de seus pais. Ainda que a reação dos filhos dependa de muitos fatores, depende principalmente de dois fatores principais, que são a idade da criança neste momento e o grau de conflito que existe entre os pais envolvidos. De qualquer forma é inevitável que esta situação seja muito estressante para as crianças.

Desta forma, o assunto deve ser tratado com muito carinho desde o início. Os pais devem informar a criança da forma mais clara, afirmativa, honesta, com tons adequados de voz, e sem culpar um dos pais neste momento. A criança pode estar sim muito confusa, imaginando quais aspectos de sua vida poderão mudar a partir deste momento. Ela pode sentir-se também muito culpada e sentindo-se até o motivo da separação dos pais.

Assim os pais devem esclarecer todas as dúvidas que possam surgir. Devem deixar claro para o filho que a separação é apenas do casamento e não da criança e que ela continuará sendo amada pelo papai e pela mamãe da mesma forma. Sempre que possível deve-se buscar a ajuda de um profissional terapeuta para ajudar a lidar melhor com este processo.

Quando os pais estão bem resolvidos na questão da separação, os filhos conseguem lidar melhor com a situação. A partir da separação dos pais a criança terá de construir um novo contexto de família, com pais não mais vivendo juntos, com possíveis alterações na rotina semanal, mudanças de horários, além de outras mudanças que demandarão da criança certo grau de equilíbrio emocional.

Quanto maior a convivência da criança com os pais quando estes estavam casados, mais esta pode sofrer com o processo de separação. Da mesma forma, se for ainda muito bebê, por estar ainda em processo de formação de vínculos emocionais significativos, o processo de separação pode gerar uma maior dificuldade de formação de vínculo afetivo com o pai que não ficar com a guarda da criança. Para suprir esta defasagem é, portanto de grande importância, a presença física e emocional do mesmo na vida da criança para a criação de significativos vínculos afetivos de confiança e amor.

A partir dos 5 ou 7 anos de idade as crianças já compreendem um pouco melhor o significado da separação dos pais caso esta seja bem encaminhada junto aos filhos. Mesmo assim é comum perguntarem várias vezes sobre como ficará sua rotina, sentirem-se tristes e desanimados, chorarem esporadicamente e vivenciarem momentos de dificuldade onde necessitarão de apoio e compreensão.

Os pais nunca devem esconder dos filhos de que vão se separar quando esta for a decisão. Devem ser verdadeiros e claros na forma de transmitir a informação. Porém não devem entrar em detalhes sobre as brigas e detalhes íntimos do casal que levaram à decisão. É fundamental apenas que deixem claro que a separação ocorreu por divergência na relação entre o papai e a mamãe, mas que o filho continuará sendo filho e recebendo o mesmo amor de ambos. Ele deve estar seguro de que nunca deixará de ser amado e bem assistido em suas necessidades mesmo com os pais não morando mais na mesma casa.

É inevitável que as crianças sintam ausência de um dos pais durante o período de adaptação logo após a separação onde tenderá a ser mais difícil. Todavia este momento não precisa e não deve ser traumático, desde que seja conduzido da melhor forma por parte dos pais, e encaminhado da melhor forma sempre que possível com o apoio de um profissional especializado.

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com