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Constipação intestinal nas crianças

A constipação intestinal conhecida também como prisão de ventre, é um problema bastante comum entre as crianças, acometendo cerca de 30% delas entre 1 e 12 anos de idade, de acordo com dados fornecidos pela UFRJ. Esta retenção seria a manifestação de um sintoma geralmente acompanhado de problemas de ordem maior relacionados com questões alimentares, hábitos de vida e até mesmo na maneira como a criança se relaciona com seus pais. É preciso saber também se a criança está realmente constipada ou se tem apenas um hábito intestinal diferente do padrão. Algum sinal para se identificar o real problema seria, por exemplo, a existência de fezes muito duras e com constância de no máximo três vezes por semana. Assim, causas devem ser muito bem investigadas para se iniciar um tratamento adequado. O que geralmente se observa é que dentre os muitos fatores, a causa do problema é geralmente de fundo emocional, assunto que estará sendo abordado a seguir.

O distúrbio de defecação normalmente se inicia quando as crianças estão aprendendo a controlar os esfíncteres, entre os dois e três anos de idade. Nesta aprendizagem, a retenção pode ser prolongada além do normal, e as fezes passam a se acumular no intestino. O conteúdo de água passa a diminuir no organismo e o produto final consequentemente se torna demasiadamente seco e duro, dificultando sua expulsão e ocasionando em desconforto para a criança. O problema tende a aumentar gradativamente, pois pela dor na evacuação a criança pode reter ainda mais as fezes, evitando futuras defecações. O reto tende a distender com o volume anormal de fezes acumulado, o que pode ocasionar na perda gradativa da vontade de evacuar. Este processo causa geralmente um ciclo vicioso que deve ser combatido o quanto antes.

Juntamente com o quadro de constipação infantil podem advir outros sintomas, como os problemas comportamentais, a queda no rendimento escolar e inclusive a ansiedade crônica. Ao ser corrigido o transtorno, normalmente normalizam-se os padrões de conduta na maioria das crianças. Muitas delas são severamente castigadas antes mesmo que seja buscada a ajuda especializada, o que pode piorar ainda mais o quadro. Mas quais seriam as verdadeiras causas para a origem psicológica da constipação intestinal nas crianças? Na realidade várias questões emocionais podem ser atribuídas ao problema, e por isso a insistência em uma maior investigação emocional com profissional qualificado.

Dentre algumas das causas poderiam estar o significado excessivamente disciplinar da exigência do controle esfincteriano por parte dos pais, o qual seria sentido por parte da criança como a perda do amor que gozara quando bebê. Outra hipótese que podemos encontrar no consultório, seria o de a criança significar as fezes como algo ruim que será colocado para fora, podendo agredir alguém que projetou. Em outros casos, onde as mães foram excessivamente rígidas na questão da limpeza, desagradando-se quando o bebê sujava as fraldas, o mesmo pode ter assimilado sua produção fecal como algo ruim, buscando apreendê-la o máximo que puder.

Outra possibilidade é que a prisão de ventre seja uma manifestação de teimosia ou obstinação, ou uma forma de a criança se “vingar” da mãe por algo desagradável que ela passou, frustrando assim suas expectativas sobre a excreção do filho. Desta forma, as fezes são percebidas pela criança como coisas que se pode oferecer ou não ao mundo. Quando se permite oferecer seu produto a alguém que o solicita (normalmente a ansiosa mãe), admite que este alguém mereça seu “presente”. Ao contrário, quando retém as fezes, o indivíduo comunica ao mundo que não pode ou mesmo não quer lhe oferecer nada, podendo imaginar que o outro não irá apreciar devidamente seu produto ou não o mereça.

Assim, ao se deparar com um problema destes em casa, o primeiro passo para os pais seria a investigação das causas com o profissional especializado, e em seguida o de buscar tratamentos adequados para a sua resolução. Muitas vezes, quando as dificuldades são apenas de fundo orgânico, pode-se fazer a correção com simples mudança nas dietas alimentares da criança, aumentando a ingestão de líquidos, incentivando a prática de exercícios e realizando treinos específicos, como por exemplo, ensinar a criança a ficar alguns minutos após as refeições no vaso sanitário adaptado, aproveitando o movimento intestinal que provoca a vontade de defecar após a ingestão de alimentos. No entanto, como muitas vezes as causas são de fundo emocional, o tratamento só obterá bons resultados com a intervenção terapêutica diretamente nas áreas emocionais da criança, realizada com profissional devidamente qualificado.

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com