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Como a escola pode ajudar a não propagar o bullying

Amo meus colegas professores, coordenadores, diretores e inclusive já dei aula alguns anos atrás, desde os pequeninos até os adolescentes do Ensino Médio. Além disso, fui aluna também. Passei muitos anos nos bancos das escolas para ter muita experiência teórica e prática sobre o assunto em questão.

Sei também que a palavra bullyng já está “batida” e também muitos pais dizem que sofreram da mesma situação em suas épocas e não morreram por causa isso. Podem não ter morrido, mas certamente muitos saíram feridos por dentro e com uma sensação de menos valia diante de um grupo que não o aceitou como na verdade gostaria de ter sido aceito.

Mas a questão deste artigo não é apenas o bullyng, mas como as escolas muitas vezes parecem propiciar um ambiente ainda mais fértil para tais práticas.  Uma delas, talvez a mais famosa seja a escolha dos times durante os esportes nas aulas de educação física. Todos sabem que muitas crianças não nascem com a coordenação motora tão bem desenvolvida, enquanto outros não nascem com as destrezas cognitivas da mesma forma também muito bem aperfeiçoada. A questão é que, colocar alunos para escolherem para seus times aqueles que farão parte nunca é uma boa ideia. Óbvio que os menos habilidosos serão os últimos a serem escolhidos e ainda receberão algum comentário do tipo: “Ai ele vai ficar aqui”. Isso seria muito bem resolvido com o sorteio aleatório do próprio professor quanto à formação dos times.

Esta é uma situação clássica, mas acontece muito. Outra que é muito vivida nas salas de aula são os trabalhos em grupo. Nem todas as crianças são as mais simpáticas e populares. Muitas se tornam assim justamente por sofrerem em casa conflitos que em algumas vezes jamais ficaremos sabendo, e suas personalidades se tornam mais fechadas pelos mesmos motivos. Elas gostariam de ser mais populares, mas simplesmente não estão em condições. Nestes casos os professores devem sempre sortear os grupos que farão trabalho, facilitando a socialização e não a discriminação e seletividade.

Que tal descobrirmos nas profundezas de nossas crianças seus diamantes ainda pouco lapidados, mas que mesmo assim ainda são lindas joias que podem vir a brilhar um dia? Aquela criança que não vai bem aos esportes não poderá ser uma excelente escritora de redações? O aluno mais tímido não poderia ser um ótimo aluno de matemática capaz de ajudar em pequenos grupos de tarefas extraclasse para aqueles que precisam de uma ajudinha? A menina tímida demais que talvez se sinta feia, mal arrumada e desengonçada diante das colegas não poderia precise de alguns bate papos com uma professora que a valorize e a elogie com mais frequência?

Os adultos funcionários de uma escola devem estar atentos a todo tempo com relação ao bullyng. Não por se tratar de um assunto da moda, mas por ser um fator que sempre existiu e já marcou a vida de muitos deles mesmos que gostariam de em suas épocas ter sido tratados com mais carinho. Ninguém gosta de se sentir excluído. O gordinho não precisa ser lembrado de seu excesso que não consegue controlar. A magrela não tem culpa de comer o quanto pode e não engordar uma grama. O baixinho bem que gostaria de ser mais alto, mas isto não está no seu controle. As crianças que julgam e discriminam muitas vezes ainda não tem seu senso moral bem formado e por isso se descontrolam maltratando seus semelhantes. Nós adultos que temos nosso caráter formado e maior noção do certo e errado, devemos sim ajudar as crianças a não sofrerem com as diferenças. Todos são especiais à sua maneira e basta as ajudarmos a descobrir isso.

 

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com