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Autismo

O autismo é caracterizado por severas limitações, como o atraso no desenvolvimento da linguagem, dificuldade em manter relações sociais, comportamento bastante estereotipado e geralmente com significativa restrição no foco de interesses. Pesquisas indicam que esta síndrome alcança de um a cinco casos em cada dez mil crianças. A incidência é maior no sexo masculino, em uma proporção de dois a três homens para cada mulher com autismo.

As crianças autistas apresentam uma incapacidade para estabelecer relações normais com as pessoas e nelas predomina a autossuficiência e o isolamento. O contato físico normalmente é vivenciado com grande angustia e sentimentos de ameaça. Também não se sentem à vontade com mudanças em sua rotina ou alterações de objetos específicos.

Apesar dos avanços nas pesquisas sobre o autismo, não se sabe muito a respeito da sua causa nos indivíduos. De acordo com o que se têm, as dificuldades estariam relacionadas a alterações neuronais e fisiológicas, com relação às diferentes regiões cerebrais. O autismo se apresenta em graus diferenciados na sua patologia e os sintomas apresentados podem variar muito, de acordo com cada indivíduo. Nas formas mais leves do transtorno, a criança é capaz de buscar o contato social, mas de forma geralmente inadequada, enquanto que nos casos mais graves existe um total desinteresse na comunicação interpessoal.

Com relação às atividades lúdicas, a criança autista também se desenvolve de maneira bastante característica. Normalmente não costumam brincar de atividades de faz de conta, desempenhando papéis diferentes do seu próprio. Costumam também manterem-se por longos períodos em atividades repetitivas, imitando mecânica e repetitivamente sons que lhe chamaram a atenção de alguma forma especial. Esse comportamento geralmente ocorre com falas de filmes, músicas e histórias que ouviram.

Existem muitos autistas com talentos e capacidades especiais, e sempre que uma atividade lhes desperta interesse aguçado, costumam desempenhá-la com bastante dedicação e concentração. A criança autista tem grandes dificuldades para interpretar afetos e questões subjetivas. Como geralmente tem problemas em interpretar o “todo”, ela geralmente se concentra apenas nos detalhes, o que prejudica sua percepção.

Outros transtornos mentais normalmente estão associados com o autismo, como o caso do retardo mental (80% dos casos), epilepsia (20 a 40% dos casos), transtornos neuropsiquiátricos, agitação psicomotora, agressividade, ansiedade, distúrbios de sono, depressão e transtorno obsessivo compulsivo. Este conjunto de fatores pode dificultar ainda mais o diagnóstico de autismo, mascarando geralmente o problema principal.

Existem atualmente diversos tratamentos terapêuticos para o diagnóstico de autismo. O importante é detectar a doença o mais cedo possível para que seja feita uma intervenção precoce e significativa. O apoio deve ser focado tanto nas áreas emocionais, como cognitivas e comportamentais.

O autismo é considerado como um transtorno invasivo do desenvolvimento e os critérios atualmente utilizados na área da saúde para seu diagnóstico estão descritos no DSM-IV (Manual Estatístico e Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria).

Os critérios para o diagnóstico do distúrbio autista seriam pelo menos seis dos doze critérios abaixo, sendo dois de (1) e pelo menos um de (2) e (3).

1) Déficits qualitativos na interação social, manifestados por:

  • Dificuldades marcadas no uso de comunicação não verbal;
  • Falhas na construção de relações interpessoais apropriadas ao nível de desenvolvimento;
  • Falha em procurar, espontaneamente, compartilhar interesses ou atividades prazerosas com outros;
  • Falta de reciprocidade social ou emocional.

2) Déficits qualitativos de comunicação, manifestados por:

  • Falta ou atraso do desenvolvimento da linguagem, não compensada por outros meios (apontar, usar mímica);
  • Déficit marcado na habilidade de iniciar ou manter conversação com indivíduos com linguagem adequada;
  • Uso estereotipado, repetitivo ou idiossincrático da linguagem;
  • Inabilidade no participar de brincadeiras de faz de conta ou imaginativas de forma variada e espontânea para seu nível de desenvolvimento.

3) Padrões de comportamento, atividades e interesses restritos e estereotipados:

  • Preocupação excessiva em termos de intensidade ou de foco, com interesses restritos e estereotipados;
  • Aderência inflexível a rotinas ou rituais;
  • Maneirismos motores repetitivos e estereotipados;
  • Preocupação persistente com partes de objetos.

Alguns autistas também apresentam bastante agressividade e comportamentos automutilantes que podem aumentar na entrada da adolescência. Em alguns momentos podem também apresentar respostas anormais a estímulos sensoriais, tais como sons altos, supersensibilidade tátil, fascínio por determinados estímulos visuais e algumas vezes alta tolerância à dor. Os distúrbios de humor e de afeto também são bastante comuns, e podem ser manifestados por crises de riso ou choro sem motivos aparentes ou mesmo medo e ansiedades.

 

Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

www.deborahramos.com